Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo.” (2 Coríntios 11:3)
Com todo o respeito àquelas pessoas próximas a mim, que estão, de alguma forma, envolvidas com a política, bem como àqueles líderes que também militam nessa área, gostaria de dizer que o exposto neste artigo reflete um posicionamento pessoal. Assim sendo, fiquem à vontade para discordar dos argumentos apresentados pelo autor. Não tenho dúvida das divergências trazidas por esta temática. No entanto, convido-os a ler atentamente e, após as devidas reflexões, tirem suas próprias conclusões. “Examinai tudo. Retende o que é bom” (1 Ts 5. 21).
Um argumento muito utilizado por pastores e militantes evangélicos é que a igreja precisa de representantes. Este discurso se fundamenta numa espécie de representatividade cristã necessária às bancadas políticas. A partir então desse argumento gostaria de convidar o leitor a refletir comigo:
A Igreja do Senhor não foi edificada sobre o fundamento humano: “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Conforme esta palavra, a igreja está fundamentada em Jesus. A respeito disso não existe nenhuma contestação. Então, sobre que representatividade estamos falando e qual o objetivo dessa representatividade? Parece-me óbvio que essa representatividade está mais associada a outros interesses e, a respeito disso, não há mal algum. Todos desejam uma rua asfaltada, um trabalho em determinada instituição, uma indicação política e tantos outros (isso também é bênção de Deus). Agora, acreditar que essa representatividade constitui-se, efetivamente, como fundamental e determinante para uma mudança da atual conjuntura em que vivemos é, no mínimo, a meu ver, estar incorrendo num grande equívoco.
Não podemos acreditar que uma representatividade política vai melhorar o mundo. Precisamos de convicção e ousadia para dizer que a “sabedoria do mundo é espiritualmente ineficaz”, (McArthur, 1997. Pg. 129). Leia 1 Co 1. 21-25. Assim sendo, jamais a sabedoria humana conseguirá levar as pessoas a se aproximarem de Deus. Conseqüentemente, nunca conseguirá produzir no homem a paz que ele sempre deseja ter. Nossas igrejas precisam reconhecer imediatamente esta verdade. Filósofos, Antropólogos, POLÍTICOS, (Grifo do Autor) e outras pessoas sábias, nunca conseguirão encontrar a solução para o maior problema da humanidade: o pecado
A humanidade está em pior situação hoje do que jamais esteve, mas, e os representantes políticos da igreja, o que fizeram para minorar essa situação? Conforme o site: http://padom.com.br/ Disponível em 15/09/2010 às 09:41hs: Deputados evangélicos do Rio se omitem na aprovação de leis que transformam orixás, caboclos e “entidades espirituais” em patrimônio do Estado (esse é só um exemplo de muitos encontrados). A sabedoria humana de nosso tempo está realmente falida e a verdade reside no fato de que esta sabedoria tende a agravar a situação da humanidade e não melhorá-la. É só ver os noticiários a respeito das guerras, racismo, alcoolismo, pedofilia, crime de pistolagem, divórcio, drogas e pobreza para comprovar que a sabedoria humana não serve como fundamento para impactar o mundo. Não nos enganemos: “... o mundo jaz no maligno” (1 Jo 5.19). A sabedoria humana pode, no máximo, elaborar projetos para uma efêmera sensação de bem estar social do povo, pode construir projetos que irão beneficiar as famílias no que diz respeito ao saneamento básico, moradia, educação e outros, mas conter o avanço do mal, jamais. Então sigamos o que diz a Bíblia: “Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas” (2 Co 10.3-4), e ainda, nós, crentes no Senhor Jesus, que já aprendemos a Palavra da verdade sabemos que “...não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Ef. 6.12). Por que insistimos, então, no discurso capcioso de que a igreja precisa de representantes? E ainda, por que achamos que é por nossas forças que iremos vencer? “Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do SENHOR nosso Deus” (Sl 20.7).
Quanto mais o mundo depende da sabedoria humana, tanto mais esses problemas se agravam. Então, continuo a perguntar: Precisamos de representantes políticos para quê? Qual a solução? De forma maravilhosa “... aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação” (1 Co 1.21). Segundo McArthur, Pregação é a palavra grega Kerigma, que enfatiza tanto a mensagem quanto o método através do qual ela será anunciada. Deus escolheu uma mensagem e uma metodologia que a sabedoria deste mundo considera como loucura, mas que na verdade é a única maneira para uma transformação efetiva: A pregação da Palavra.
Todo o ministério da igreja, em seus primórdios, concentrou-se no evangelho. Não havia nenhuma sugestão de debate sobre política entre os irmãos, mas a igreja e todos os seus ministros tinham como alvo o fortalecimento dos outros crentes, a fim de que esses anunciassem a pregação da Palavra ao mundo. Por que, então, hoje é diferente? Por que, ao invés de focalizarmos na Palavra, investimos em assuntos que apenas fortalecem os intentos do ‘deus deste século’ (2 Co 4.4) que, a propósito, “...cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus?”.(Idem)
O que precisamos é de homens comprometidos com Deus que preguem a Palavra e denunciem o pecado, mas o que temos são líderes cristãos estabelecendo parcerias com os filhos de Belial e “... que harmonia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? (2 Co 6:15 -16a). Precisamos do obreiro aprovado citado por Paulo, “... que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2.15). Precisamos de líderes que entendam o que significa realmente ser igreja. Que compreendam que ser igreja não está adstrito aos serviços litúrgicos, mas refere-se a um estilo de vida, a um chamado vocacional que não tem sua identidade diluída em tempos de política, mas permanece firme no cumprimento de seus propósitos.
Tentando justificar o argumento da necessidade de representantes políticos, o pastor de uma igreja, que costuma eleger muitos candidatos, disse: “precisamos eleger evangélicos para que a PLC 122/2006, não seja aprovada!”. Vale a pena esclarecer que este projeto torna crime a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero - equiparando esta situação à discriminação de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, sexo e gênero, ficando o autor do crime sujeito a pena, reclusão e multa.
Contra-argumentando esta idéia apresentada pelo pastor, disse que independente deste ou daquele candidato da igreja, os homens continuarão avançando em desobediência a Deus. Somente através da Palavra de Deus, que é a verdade, o homem poderá ser liberto de suas práticas pecaminosas: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. (Jo 8.32). Então, o homossexualismo, a pedofilia e tantos outros males que refletem a natureza decaída do homem, continuarão avançando e não vai ser candidato A, B ou C que mudará essa realidade.
Tivemos, recentemente, a terceira edição da marcha lésbica em Belém. Cem mil pessoas eram aguardadas nas ruas para reivindicar mais tolerância para com os desiguais. A representante e coordenadora desse movimento disse “... o paraense é um povo mais tolerante e participativo do que os demais”. Disse ainda: "Esta é a maior passeata lésbica do Brasil. A que ocorre em São Paulo reúne três mil pessoas, um público tímido. Aqui, desde a primeira edição, tivemos uma grande participação, não apenas de lésbicas, mas também de pessoas que simpatizam e apóiam o movimento homossexual”. E os representantes evangélicos, bem como os aspirantes, o que disseram? Só pra lembrar, na mesma ocasião desse evento, alguns candidatos e militantes evangélicos faziam também passeatas e promessas aos eleitores.
Irmão, o fato de determinado candidato ser ou dizer ser evangélico não implica, necessariamente, em dizer que ele tem a competência, disposição e coragem para defender os valores cristãos, confrontando o pecado e anunciando a verdade de Deus. E mais, não esqueça que nem tudo que reluz é ouro. Nessa época, todas as estratégias são válidas para ganhar votos, inclusive a de se dizer evangélico. Não estamos aqui querendo fazer nenhum julgamento, no entanto, não podemos nos omitir e permitir que nosso povo continue enganado por aqueles que deliberadamente têm essa intenção.
Sinceramente, precisamos recobrar a consciência como igreja. Precisamos retomar nossa identidade: “Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério” (2 Tm 4. 1-5).
Tenho percebido que a igreja está perdendo sua identidade. Não está mais disposta a avançar, mesmo em situações desfavoráveis. Vivemos um cristianismo da comodidade, da facilidade e da troca. Lutamos pela idéia de que precisamos de representantes políticos e esquecemos de confiar e depender do Senhor. Pregamos que Deus é nosso provedor, mas continuamos vivendo um pragmatismo impaciente. Trocamos a Sabedoria de Deus pela Sabedoria humana.
Não tenho dúvida e nem ouso questionar a Multiforme Graça do Senhor. Ele é soberano para levantar homens e mulheres para a realização de seus propósitos eternos. No entanto, o Senhor não depende de nossa intervenção partidária, nossos discursos falaciosos e nem tão pouco da barganha, o que, diga-se de passagem, é muito comum nesses tempos.
Querido irmão, realmente não é fácil voltar-se contra essa idéia que infesta nossas igrejas. Muitas pessoas defenderão com unhas e dentes a necessidade de apoio a determinado candidato indicado pelo pastor ou outro líder da igreja. No entanto, submeta essa indicação ao Senhor Deus. Ele sabe todas as coisas e a motivação de cada coração. Não permita que o teu direito de escolha seja roubado. Ore ao Senhor e busque nEle a resposta para esse momento.
Como cidadão, exerça seu direito. Vote consciente. Como crente no Senhor, ore para que vivamos os desígnios de Deus para nossa nação. Como igreja, avance cumprindo o Ide do Senhor (Mc 16.15). Enquanto estivermos nessa terra precisamos cumprir com aquilo que estabelecem nossas leis, (desde que não agridam os princípios bíblicos que defendemos), e a lei brasileira nos convoca a escolhermos homens e mulheres que estarão dirigindo nosso país. Portanto, escolhamos com cuidado.
No mais, não esqueçamos: A Igreja do Senhor precisa de homens e mulheres que tenham coragem para pregar a Palavra. Assim sendo, pregar a Palavra significa denunciar as posturas pecaminosas assumidas pelo mundo. Significa ir de encontro ao que o mundo ensina. Significa fundamentar nossas ações na Sabedoria de Deus. Por fim, significa ser inconformado com este mundo. (Rm 12.2). Você está disposto? Não precisa se candidatar a um cargo político e nem apoiar alguém. Basta viver um cristianismo verdadeiro e dizer Sim para o chamado de Deus.
Que o Senhor Deus possa estar levantando nas próximas eleições muito mais que deputados, senadores, governadores e presidente, mas homens que ergam a bandeira de Cristo e estejam dispostos a sofrer perseguições, para que a loucura da pregação alcance o Brasil e engrosse a fileira daqueles que, em breve, estarão para sempre e sempre com o Senhor.
Soli Deo Gloria
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