sexta-feira, 3 de setembro de 2010

IGREJA É IGREJA E PÚLPITO NÃO É PALANQUE


Augusto Souto

Estamos às portas de mais um pleito eleitoral. Às portas de um maquiavélico evento que escraviza, manobra e assassina a consciência do povo brasileiro. Já estamos ouvindo os primeiros balbucios de uma turba desgovernada, desesperada e despreparada que busca neste evento “o seu lugar ao sol”. Um exército de militantes, recrutados a partir da submissão ideológica e da consciência escravizada, começa os seus primeiros passos. Lamentavelmente os brasileiros, sem muita escolha a ser feita, se submeteram a isso, mesmo sabendo que juntos podem mudar essa realidade, mas, como fazê-lo? Como diria Paulo Freire, eis aí uma “ambigüidade dramática”: de um lado o desejo de se libertar de tudo isso e de outro a necessidade de baixar a cabeça e conseguir o seu quinhão nessa partilha medíocre e desigual.

Por todos os lados já se ouvem os comentários a respeito desse ou daquele político. Os assessores parlamentares que mais parecem opressores elementares têm a tarefa de começar a preparar o caminho. R$ 10,00 pra um, uma cesta básica pra outro, um almoço na casa de um irmãozinho da igreja, uma televisão para uma programação social, enfim... Começam a impor sobre o povo a imagem do seu correligionário.

O senador Cristovão Buarque disse em uma entrevista: “antes nos sujávamos de sangue, brigando por um ideal. Hoje nossos jovens se sujam de lama de uma política que respinga sobre eles...”. Nossa política vive realmente em uma lama profunda. Nossos políticos, com raríssimas exceções, estão entregues, mergulhados profundamente na corrupção. É só assistir o noticiário. Como diria Guilherme Arantes: “Você verá que é mesmo assim que a história não tem fim...”. Realmente, e aproveitando o nome da canção, estamos “Brincando de Viver”.

Já não sabemos em quem acreditar. Alguns até tentam assumir uma postura de piedade, “viram crente” e começam ate a freqüentar a igreja “x” ou “y”. Usam bíblia e começam a falar o evangeliquês. Com celular ligado durante os cultos esses “novos convencidos” levantam-se várias vezes para atender as diversas chamadas, acertam visitas comunitárias e tantas outras ações que possam somar ao seu intento de votos.

Alguns outros fazem doações de cimento, telhas e outros materiais para a construção da igreja. Fazem questão de serem visto por todos os irmãos daquela denominação. Não basta doar, tem que aparecer! Afinal, é a visibilidade que interessa.

E, falando de um contexto mais igrejano, realmente tenho encontrado muita dificuldade para entender e aceitar essas posturas dentro da igreja. Homens de Deus trocando o evangelho por cimento, televisão, bicicleta, ônibus. Não consigo admitir que alguém sequer fale sobre política dentro da igreja. Mas a realidade é outra. Infelizmente nossos púlpitos estão servindo como palanque eleitoral. Já vi candidatos dizendo no púlpito que “sentiram de Deus” de entregar o dízimo naquela igreja. Tudo isso em meio a lágrimas. Já participei de um culto onde o Pastor pedia, inúmeras vezes, que os irmãos repetissem o número do candidato da igreja. Participei de inúmeras reuniões onde o pastor nos intimou a votar em determinado candidato escolhido pela “missão parlamentar”, uma espécie de conselho deliberativo da igreja que fazia as indicações políticas.

Discutir apoio político, bem como realizar propagandas políticas entre os evangélicos, apesar de patético, realmente não é crime, no entanto, usar os púlpitos e propagandas políticas na igreja é expressamente proibido por lei e pode gerar, além de multa, a impugnação de candidaturas, (é só formalizar uma denúncia com provas). É o que estabelece a lei 12.034/09, que alterou a Lei dos Partidos Políticos e o Código Eleitoral. As multas podem ser estipuladas, pelos tribunais eleitorais, não só para os candidatos, mas também para as igrejas. Os templos religiosos são considerados, pela legislação, como bens de uso comum, nos quais não cabe propaganda eleitoral.

Não se assuste se neste pleito você observar comportamentos parecidos. Pastores reunindo igreja para promover determinado candidato. Que vergonha! Liderança cristã usando a autoridade que lhe foi conferida para influenciar aqueles crentes indecisos, enfim... É preciso mais cuidado ainda, porque as vezes essas posturas não são vistas a olhos nus. É preciso bastante atenção para perceber que existem alguns lobos disfarçados de ovelhas no meio do rebanho. Dizem que não toleram também as posturas acima apresentadas, têm aparência de submissão, mas na prática estão trabalhando dia e noite com vistas a seduzir e escravizar politicamente os mais fracos. Enquanto isso acontece o diabo trava todas as ações cristãs no que diz respeito ao evangelismo. É como se a igreja tirasse uma “folga” da sua missão para defender este ou aquele partido político. É o fim! Fico realmente impressionado em ver a disposição de crentes empunhando uma determinada bandeira de sol a sol. O orgulho, (ou necessidade), de estampar em seu carro a imagem de um mero mortal numa ação provocativa, enquanto que a ordem imperativa do Senhor em ir “por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda criatura” (Mc 16.15), tem sido desprezada e substituída por uma mensagem do inferno que tem escravizado e tornado muitos crentes reféns dessa política partidária: “ uma mão lava a outra”.

A troca de favores tem sido a marca de um país subdesenvolvido que, seguindo essa lógica, jamais avançará no sentido de garantir uma cidadania plena. Conseqüentemente, a igreja tem sido afetada. Tem se curvado a este senhorio secular que cria perspectivas positivas a partir de discursos falaciosos. Muitas igrejas têm assumido a responsabilidade leviana de apoiar determinado candidato, por declarada troca de favores pessoais ou de interesse da comunidade cristã, mesmo sabendo que, a exemplo de outras vezes, este político pode se corromper e manchar a imagem da igreja do Senhor. Na verdade, chego a pensar que isso é o que pouco importa para alguns lideres religiosos, O que realmente conta é a sua projeção.

Queria deixar um alerta para aqueles que leram até aqui:

1 – Não troque o seu posto de embaixador de Cristo para cabo eleitoral desse ou daquele candidato.

2 – Nunca esqueça que esse tempo passará. Seu esforço, dedicação e empenho talvez jamais sejam reconhecidos pelo seu candidato.

3 – Algumas pessoas lamentarão profundamente no final da vida porque olharão para trás e perceberão que empreenderam muitos esforços em atividades efêmeras que cessarão após o seu último suspiro.

4 – Nós precisamos plantar nesta vida com vistas à vida eterna com o Senhor.

5 – Não troque a Escola Bíblica dominical por uma carreata do seu candidato, (mesmo que no final você receba uma gorjeta). O Teu Deus te dará muito mais se você for fiel.

6 – Não perca seu limitado tempo falando do seu candidato. Prega a palavra a tempo e fora de tempo.

7 – Não esqueça que a Casa do Senhor, a Assembléia do Deus Altíssimo deve ser utilizada plenamente com vistas ao cumprimento dos propósitos eternos do Senhor: Comunhão, Adoração, Discipulado, Evangelismo e Serviço. Não está incluído nesses propósitos a promoção desse ou daquele candidato.

8 – Envergonhe-se daquela igreja, onde seu pastor permite ações político-partidárias e utiliza a Casa do Senhor para fins meramente políticos, perdendo tempo e deixando de alimentar o rebanho.

9 – Não se engane, político nenhum oferece um almoço, cede um ônibus, doa camisas e sacas de cimento necessariamente porque ele é um homem de Deus. Por trás de cada ação, há claramente um claro objetivo político. Às vezes o candidato nem fala nada. Não é preciso. A sua imagem, e ações falam por ele. (... e ainda tem gente que acredita).

10 – Se você perceber que sua igreja tem compactuado com posturas, mesmo politicamente corretas, mas que ferem a santidade da igreja. Se perceber que o Pastor tem dado pouca importância à instrução e investido na promoção desse ou daquele candidato. Apresse- se em sair desta igreja. Ela não é uma igreja séria.

Por fim queridos, estejamos atentos porque assim como “foi nos tempos de Noé assim também será a vinda do filho do Homem” (Mt 24. 37). Muita gente estará tão envolvida com os negócios dessa vida que perderá o foco da necessidade de preparação para o encontro com o Senhor. Em breve estaremos na Presença do nosso Deus. Não tenho dúvida de que vale a pena investir o pouco tempo que nos resta no Reino do Senhor. Pregue a palavra, visite, ore, leia a bíblia, ajude àqueles que sucumbem, aqueles que estão caminhando para o inferno.

Tenho certeza que o Senhor “... não joga dados”, (Einstein): Deus é soberano em tudo e tem propósitos para todos nós, inclusive para os candidatos deste pleito eleitoral. Sendo assim, descansemos no Senhor. É bem verdade que não podemos nos omitir. Exerçamos nossa criticidade e façamos nossas escolhas, mas nunca esqueçamos que somos forasteiros nessa terra e que em breve estaremos na nossa Pátria Celestial e nunca mais precisaremos de campanhas políticas, carreatas showmícios e tantos outros. Estaremos para sempre na Augusta Presença do nosso Senhor para todo o Sempre. Amém.

Soli Deo Gloria

Esse texto é de inteira responsabilidade de seu Autor

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Augusto Souto.

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