RESENHA CRÍTICA
Filme de:
Prado, Marcos. ESTAMIRA. 120m.
Pobreza, lixo e revolta é o cenário utilizado por Marcos Prado no desenvolvimento do filme Estamira que apresenta como personagem central uma senhora que ganha a vida no árduo trabalho em um aterro sanitário. As cenas apresentadas pelo autor focalizam especialmente os argumentos de Estamira a respeito de sua condição social, bem como sua tarefa de “ensinar aquilo que os homens não sabem ensinar aos inocentes”.
Ao que parece, desde o início do filme, Estamira intercala momentos de lucidez e transtornos mentais que são muito bem apresentados pelo autor evidenciando uma clara denúncia a exclusão social e sua decepção em relação a Deus.
Ao mostrar o barracão de Estamira, bem como seu local de trabalho, o autor nos mostra uma realidade muito presente no Brasil dos contrastes sociais que não é mostrado na televisão, mas que existe e está bem perto de nós. Abuso sexual, violência doméstica, vício, abandono, solidão são as referências carregadas por Estamira e o fundamento de uma revolta que culmina num quadro psicótico de evolução crônica.
Extremamente religiosa Estamira acreditava que as agruras vividas representavam um período de provação, mas ao não conseguir superar esses momentos, se decepciona com Deus e começa a maldizê-lo “Quem obedeceu a Deus, largou de morrer?” Toda a revolta em relação a Deus está relacionada diretamente ao sofrimento experimentado durante toda a sua vida. Mas ao mesmo tempo, como se invertendo as posições, Estamira se apresenta como a solução, “a revelação do Trocadilo”, a auto-suficiente. Talvez com a intenção de produzir em si a esperança de dias melhores, a cura de sua enfermidade, Estamira se coloca na posição de Deus. “Ninguém pode viver sem Estamira”.
O sofrimento é sem dúvida a tônica do enredo desenvolvido pelo autor. Mas a questão que se coloca é a seguinte: A exclusão é resultado da opressão espiritual? Ou a opressão espiritual de Estamira é resultado da exclusão, do abandono pelo qual passou durante toda a sua vida? O autor permite que decidamos sobre esta questão, bem como permite a interferência em relação ao desfecho desta comovente história.
Com palavras impactantes do ponto de vista espiritual, alguns momentos parece mesmo que Estamira é controlada por uma força superior e parece agir acionada por um “controle remoto” que modela sua fala e postura frente as câmeras.
O personagem de Marcos Prado, mesmo em momentos de demonstrações de revolta e insanidade nos faz refletir a respeito de alguns aspectos importantes, como o que diz respeito a igreja e as doutrinas, por exemplo. Estamira diz: “As doutrina erradas e trocadas ridicularizaram os homens [sic]”.
Provocante e polêmico o filme nos faz refletir sobre o homem e seus dilemas, bem como nos alerta para uma realidade distante de Deus e por conta disso, susceptível às intervenções espirituais da maldade. É assim que o autor faz questão de nos mostrar Estamira, uma mulher irreverente, desrespeitosa e vulgar no trato com Deus.
As cenas ganham no aspecto de originalidade, quando mostram o dia – a – dia sem os apetrechos dos estúdios e com uma linguagem comum, mesmo que vulgar, acessível a todos.
Indubitavelmente o filme Estamira retrata de maneira clara o resultado de uma vida sem Deus. Ao mesmo tempo nos trás um despertamento sobre a nossa contribuição efetiva enquanto agentes de paz sócio-espiritual. Ao final do filme não se preocupe se de repente você se perguntar: O que estou fazendo para contribuir com a mudança desta realidade tão presente no meu País?
Carlos Augusto Pinheiro Souto
Ao que parece, desde o início do filme, Estamira intercala momentos de lucidez e transtornos mentais que são muito bem apresentados pelo autor evidenciando uma clara denúncia a exclusão social e sua decepção em relação a Deus.
Ao mostrar o barracão de Estamira, bem como seu local de trabalho, o autor nos mostra uma realidade muito presente no Brasil dos contrastes sociais que não é mostrado na televisão, mas que existe e está bem perto de nós. Abuso sexual, violência doméstica, vício, abandono, solidão são as referências carregadas por Estamira e o fundamento de uma revolta que culmina num quadro psicótico de evolução crônica.
Extremamente religiosa Estamira acreditava que as agruras vividas representavam um período de provação, mas ao não conseguir superar esses momentos, se decepciona com Deus e começa a maldizê-lo “Quem obedeceu a Deus, largou de morrer?” Toda a revolta em relação a Deus está relacionada diretamente ao sofrimento experimentado durante toda a sua vida. Mas ao mesmo tempo, como se invertendo as posições, Estamira se apresenta como a solução, “a revelação do Trocadilo”, a auto-suficiente. Talvez com a intenção de produzir em si a esperança de dias melhores, a cura de sua enfermidade, Estamira se coloca na posição de Deus. “Ninguém pode viver sem Estamira”.
O sofrimento é sem dúvida a tônica do enredo desenvolvido pelo autor. Mas a questão que se coloca é a seguinte: A exclusão é resultado da opressão espiritual? Ou a opressão espiritual de Estamira é resultado da exclusão, do abandono pelo qual passou durante toda a sua vida? O autor permite que decidamos sobre esta questão, bem como permite a interferência em relação ao desfecho desta comovente história.
Com palavras impactantes do ponto de vista espiritual, alguns momentos parece mesmo que Estamira é controlada por uma força superior e parece agir acionada por um “controle remoto” que modela sua fala e postura frente as câmeras.
O personagem de Marcos Prado, mesmo em momentos de demonstrações de revolta e insanidade nos faz refletir a respeito de alguns aspectos importantes, como o que diz respeito a igreja e as doutrinas, por exemplo. Estamira diz: “As doutrina erradas e trocadas ridicularizaram os homens [sic]”.
Provocante e polêmico o filme nos faz refletir sobre o homem e seus dilemas, bem como nos alerta para uma realidade distante de Deus e por conta disso, susceptível às intervenções espirituais da maldade. É assim que o autor faz questão de nos mostrar Estamira, uma mulher irreverente, desrespeitosa e vulgar no trato com Deus.
As cenas ganham no aspecto de originalidade, quando mostram o dia – a – dia sem os apetrechos dos estúdios e com uma linguagem comum, mesmo que vulgar, acessível a todos.
Indubitavelmente o filme Estamira retrata de maneira clara o resultado de uma vida sem Deus. Ao mesmo tempo nos trás um despertamento sobre a nossa contribuição efetiva enquanto agentes de paz sócio-espiritual. Ao final do filme não se preocupe se de repente você se perguntar: O que estou fazendo para contribuir com a mudança desta realidade tão presente no meu País?
Carlos Augusto Pinheiro Souto

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